Fabio Baladez
Em grande parte estes escrito tem alguma relação com Said Nursi, e deve ter para estar aqui, mas tem relação com tantos outros que estiveram em busca de um caminho espiritual que lhes trouxesse mais que respostas, mais que alívio, porque não basta encontrar respostas prontas e nem estar momentaneamente bastam.
A solidão e a frugalidade são partes do mesmo caminho que conduzem qualquer pessoa a resultados que não alcançariam caso vivam sempre ocupados com o mundo, se entretando com atividades que matam o tempo ou a si mesmo, como o cansaço que gera o excesso de coisas, de comida, de barulho, de esforço inútil. Said Nursi, assim como muitos sábios religiosos, cristãos e judeus, inclusive, pessoas que dedicaram suas vidas a um propósito pouco compreensível, necessitaram da solidão para organizar seus complexos interiores.
O solitário que decidiu ficar só por sabedoria e por necessidade sente-se bem acompanhado quando tem ao seu alcance, e não ao seu lado, outros solitários como ele. É uma pessoa rica vivendo a frugalidade de suas possibilidades e a tranquilidade de não fazer o que não é necessário, que não conversa com outros mais do que consigo mesmo, e que sabe que a vida é tempo, ou seja, ela conta a vida que passa, e não o tempo. O solitário não é sozinho, vive em sociedade e em grande parte se esforça para viver pela sociedade. Como qualquer um se completa com o sorriso de seus filhos, ama e reconhece sua esposa, pais e amigos. Estes opostos são necessários e devem se confrontar diariamente para não perderem o seu valor.
Qual a importância de se enganar, de desperdiçar toda a vida tentando e não logrando nenhum êxito aparente? Nenhuma, pois realmente importante é a dúvida e a busca (sempre juntas), é ter qualquer coisa dentro de si, viva, pulsante e silenciosamente perturbadora, intraduzível e inesgotável. O artista fala consigo mesmo e muitas vezes ele só é capaz de fazer isso criando, é quando ele diz em sua própria linguagem aquilo que precisa compreender sobre si mesmo, e tornar isso público não é mais que a necessidade de alto para se ouvir melhor. Quem vê, ouve ou lê a obra de arte não se relaciona com o artista, relaciona-se consigo mesmo, e por isso qualquer comentário não passa de desabafo. A crítica “especializada” deve ser ignorada, pois não tem sentido, mesmo que tenha razão.
Solitários ignoram se seus companheiros vivem ou não, claro que a vida e o presente é que dão sentido a quase tudo o que o homem é e almeja, mas se foram aquilo que escreveram ou não, que cuidem disso os acadêmicos, bem treinados na arte da improdutividade (retórica); alguém que busca saber o que pretendia um artista ao criar sua obra ignora a própria obra e, finge, ou pensa que não tem necessidade de uma linguagem particular que o traduza, e perde-se no nada tentando alcançar o inalcansável outro. Ora, há prazer maior em que sentir e pensar a si mesmo? Nem prazer e nem dificuldade! Entendendo a si mesmo, aquele que medita busca algo maior, que é anterior, consecutivo e está além dele, é o que dá sentido ao que é, foi e será. E eis o que entendo por religião.









