ISLAM E TERRORİSMO: O QUE É “JİHAD”?

 

Enquanto o Islam for, de modo geral, mal compreendido no Oeste, talvez nenhum outro termo islâmico evoque reações tão fortes como o termo “jihad”. Esta palavra árabe é traduzida inadequadamente como “guerra santa”, mas significa simplesmente “lutar”, “fazer o maior esforço possível”. É incorreto imaginar que o sinônimo de jihad seja simplesmente lutar em uma guerra, pois isso é apenas um aspecto do termo.[1] Jihad é lutar para fazer o bem e combater a injustiça, a opressão, o mal em si mesmo e da sociedade. Essa luta é espiritual, social, econômica e política.

Na verdade, o conceito de jihad é também para a vida, e é vasto, não se limita apenas ao conflito armado. Por exemplo, pode-se encontrar no Alcorão o seguinte, “jihad através do Alcorão”[25:52], o que significa um convite para a verdade, à evidência, ao esclarecimento e ao melhor argumento. Há também “jihad da alma”, que significa a luta para purificar a alma, para aumentar a fé e incliná-la na direção do bem negando tentações e desejos maus e proibidos. E há, também, a “jihad através da riqueza”, que significa gastar de várias maneiras benéficas, incluindo fazendo caridade e realizando projetos de bem-estar. Finalmente, a “jihad através de si mesmo”, que compreende todas as boas ações realizadas pelo crente, tal como a propagação, ensino e, também, a luta armada contra a agressão e opressão.

Pelo nome de jihad, o Islam clama por proteger-se contra as sociedades opressoras, o domínio estrangeiro e as ditaduras que usurpam os direitos e liberdades, que abolem a justiça e as regras morais, que impedem as pessoas de ouvir a verdade ou de segui-la, e que praticam a intolerância religiosa. Pelo nome de jihad, empenha-se em ensinar o nome de Allah, o Deus supremo, a louvá-lo e a espalhar os bons valores, a virtude e a moralidade, através de métodos ponderados e adequados.

Allah ordenou:

Convoca ao caminho de teu Senhor, com a sabedoria e a bela exortação, e discute com eles, e damelhor maneira. [16:125]

Pelo nome jihad, o Islam exige uma reforma social, a erradicação da ignorância, da superstição, da pobreza e da discriminação racial. Entre os principais objetivos, está a proteção dos membros mais fracos da sociedade contra os mais fortes e influentes.

O Islam proíbe a injustiça, mesmo contra aqueles que se opõem a religião. Allah, o Exaltado, diz no Alcorão:

Ó vós que credes! Sede constantes em servir a Allah, sendo testemunhas com equanimidade. E que o ódio para com um povo não vos induza a não serdes justos. Sede justos; isso está mais próximo da piedade. [5:8]

E Allah disse aos crentes a respeito daqueles que impedem a entrada na mesquita sagrada em Meca:

E que o ódio para com um povo, por haver-vos afastado da Mesquita Sagrada, não vos induza a agredir. E ajudai-vos, mutuamente, na bondade e na piedade. E não vos ajudeis no pecado e na agressão. [5:2]

Inimizade com povos e nações não deve levar muçulmanos a cometer agressões, oprimir ou desrespeitar seus direitos. Um dos mais altos níveis de jihad é levantar-se contra um tirano e dizer a verdade. Refrear a si mesmo de fazer o que é errado também é uma grande forma de jihad.

Uma outra forma de jihad é tomar as armas em defesa do Islam ou de um país islâmico quando estes forem atacados, mas isso deve ser declarado pelo líder religioso ou por um líder muçulmano de Estado. Apesar da jihad ser um conceito mais abrangente que vai além da guerra, é também claro que o Islam reconhece a guerra como legítima quando ela se torna a última solução possível para enfrentar os problemas de opressão e de agressão, e para defender certas liberdades e direitos.

Quando o Islam reconhece o combate militar, isso é apenas uma parte de todo um sistema repleto de valores herdados da religião, por trás da qual qualquer pessoa racional pode perceber suas razões e sua lógica.

A guerra é permitida pelo Islam apenas quando todos os meios pacíficos, tais como o diálogo, as negociações e os tratados falham. A guerra é o último recurso e deve ser evitada tanto quanto possível. O propósito da jihad não é converter pessoas a força, nem colonizar povos, nem usurpar terras ou riqueza e nem para a própria glória. O seu propósito é basicamente a defesa da vida, da propriedade, da terra, da honra e da liberdade para si e para os outros, e livrar-se da injustiça e da opressão.

[1] As palavras no Alcorão para “guerra” são “harb” ou “qitaal”